Reflexão: Este é um desabafo da madrugada, pensado durante ociosos minutos a encarar a brancura imponente da parede do meu quarto. Um artigo altamente pessoal, que apenas explicita meu posicionamento perante tal assunto.

"Mais vale um Dostoiévski na mão do que dois Green's voando."
Quem nunca olhou de canto para um daqueles Machados de Assis da vida, entocados nos cantos empoeirados da biblioteca da escola, atire a primeira pedra.
Por mais avançado que seja o homem atual, por mais aberta que seja sua mente, o preconceito ainda é um enorme e maligno tumor, impregnado nas vísceras da sociedade. Abstendo-me apenas a meu foco aqui proposto pelo título deste texto, venho falar do tal preconceito literário.
Nunca sei como iniciar este tipo de relato, que não é uma redação, daquelas que os alunos já estão fartos, ou tampouco um relato propriamente dito. É como um desabafo, uma crônica. Imprescindivelmente pessoal, por natureza.
Durante minhas ociosas andanças por algumas livrarias, observei que existe uma certa ditadura silenciosa dos livros YA (jovem adulto), os ditos vendáveis. É novamente o raciocínio de que o mercado é puramente reflexo da demanda do consumidor. Os nossos queridíssimos Machados e Austen's raramente ganham algum lugar de destaque nas vitrines, ou até mesmo nas prateleiras. As editoras não se preocupam mais em fazer  edições agradáveis ao público destas obras. São acusadas de serem soníferos impiedosos, os terríveis contratempos de um estudante. Mas isto é apenas preconceito.
Sim, é preconceito.
Atualmente, os grandes clássicos da literatura são criminalizados por serem obrigatórios. Discordo da obrigatoriedade de suas leituras, uma vez que tal imposição apenas afasta leitores potenciais da obra. Mas é uma medida prática, já que se for facultativo, será preterível e provável que  não seja feito. Ou seja, se eu não obrigar, ninguém lê.
Mas o fato é que atribuímos um peso desnecessário aos clássicos por serem clássicos. Acabamos por, na tentativa de canonizá-los, descreditá-los, mesmo sem querer. Apenas conseguimos com que uma massa de leitores vire a cara para estes livros.
Acredito no livre-arbítrio, no poder e direito de escolha do leitor, tendo em vista que a literatura é, em suma, apenas benéfica a nossa mente (fato cientificamente fundamentado). Mas a sociedade dos leitores insiste em desdenhar de obras clássicas, seja por sua linguagem difícil, seja por sua ambientação mais blasé ou sua complexidade. Quando estamos falando de clássicos, ressalvo, temos que ter em vista que a literatura foi, por muitos e muitos anos, produto de luxo, produzida para as camadas mais altas da sociedade, como, principalmente, ferramenta instrucional. O resultado é uma geração alienada às fórmulas de venda exteriores.
Neste ponto, chegamos a outra argumentação: a negação da qualidade literária nacional, a negligência de nossos autores conterrâneos.
Para mim está tudo bem, você tem o total direito de somente ler livros atuais e estrangeiros. Tudo o que peço é que dê uma chance aos nacionais, aos clássicos, olhe-os sem aquela carga opressora de animações que é pensar neles como uma obrigatoriedade, um peso, um dever. Não é assim que devemos encarar a literatura.
Entendo a dificuldade que os leitores possuem em ler livros dos séculos anteriores, uma vez que a nossa língua é mutável e vem se adaptando às mudanças culturais. Mas o máximo de esforço necessário é uma consulta ao dicionário. Seria mais um tópico que poderia citar, a preguiça literária, que limita os leitores a tal gênero, o medo que faz com que sejamos temerosos em inovar, faz com que hesitemos em adentrar territórios desconhecidos.
Como considerações finais, devo afirmar que não possuo preconceito contra livros atuais ou estrangeiros, ou seria hipócrita ao extremo ao estar redigindo este texto. Isto é apenas um apelo, um pedido, uma súplica ao leitor, que deem uma segunda chance àquele José de Alencar estacionado na estante, que flertem com aquele Clarice Lispector todo empoeirado da biblioteca. Não abstenha-se, não limite-se. A sua mente é poderosa, não deixe que qualquer ideal equivocado a dome.


2 Comentários

  1. Que maravilha Fran!
    Com certeza irá fazer muita gente refletir sobre antigos pontos de vista em relação os Clássicos. Parabéns!

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    1. Valeu Di *-* Clássicos são amores da minha vida.

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Ola divirta-se fica a vontade sua opinião é muito importante para nossa equipe
bjks até a proxima. *-*

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